CGINV I, II ou III: a certificação do comitê de investimentos
A régua do CGINV é o valor aplicado no DAIR, e ela alcança mais gente do que parece: 1.594 dos 1.976 RPPS precisam de ao menos um profissional com CGINV II ou III.

Atualizado em 30 de outubro de 2026. Regras do Manual da Certificação dos Profissionais dos RPPS, versão 2.0. Números do DAIR de junho de 2026, com 1.976 RPPS, somados por ente e sem as disponibilidades financeiras, como manda o Manual.
O CGINV é a certificação profissional do responsável pela gestão das aplicações dos recursos e dos membros do comitê de investimentos do RPPS. O nível depende do valor aplicado no DAIR: com R$ 10 milhões ou mais, o responsável e um membro titular do comitê precisam do CGINV II; com R$ 500 milhões ou mais, os dois precisam do CGINV III e os demais titulares, do CGINV II.
Em 30 segundos
- 1.594 dos 1.976 RPPS do DAIR de junho de 2026 (81%) precisam de ao menos um profissional com CGINV II ou III.
- A régua é o valor aplicado no DAIR do mês anterior ao da verificação, sem disponibilidades.
- A exigência alcança todos os membros titulares do comitê desde 1º de janeiro de 2026, e a certificação vem antes de exercer a função.
- O básico obtido de 2022 a 2025 segue valendo até vencer. A próxima certificação precisa ser no nível exigido.
- Na lista oficial, com emissões até janeiro de 2024, só 9% dos certificados CGINV são de nível intermediário ou avançado.
Quem precisa de CGINV I, II ou III
Dirigentes e conselheiros seguem o porte do RPPS no ISP. Com o CP RPPS CGINV é diferente: a régua é o dinheiro aplicado. O item 3 do Manual traz quatro faixas:
| Valor aplicado no DAIR | Responsável pelos recursos e 1 titular do comitê | Demais titulares do comitê |
|---|---|---|
| R$ 500 milhões ou mais | CGINV III (avançado) | CGINV II (intermediário) |
| De R$ 10 milhões a menos de R$ 500 milhões | CGINV II (intermediário) | CGINV I (básico) |
| Acima de R$ 5 milhões e abaixo de R$ 10 milhões | CGINV I (básico) | CGINV I (básico) |
| Até R$ 5 milhões | CGINV I, só o responsável | Não exigido |
O Manual escreve as faixas de cima separando quem é investidor profissional ou qualificado de quem só tem o volume, mas a exigência é a mesma nos dois casos. Três detalhes costumam passar batidos:
- Vale o DAIR do mês anterior ao da verificação, sem as disponibilidades financeiras. Quem olha o patrimônio total pode errar a faixa.
- RPPS sem DAIR entregue segue a regra dos R$ 10 milhões, com CGINV II para o responsável e um titular.
- O limite de R$ 5 milhões é reajustado todo ano pelo índice dos benefícios do RGPS. Os de R$ 10 milhões e R$ 500 milhões, não.
Quantos RPPS caem em cada faixa
Somamos as aplicações de cada RPPS no DAIR de junho de 2026, sem as disponibilidades. Com o limite de R$ 5 milhões no valor nominal, o retrato é este:
| Faixa | RPPS | % dos RPPS | Aplicado | % do aplicado |
|---|---|---|---|---|
| R$ 500 milhões ou mais | 175 | 8,9% | R$ 297,7 bilhões | 69,4% |
| De R$ 10 milhões a R$ 500 milhões | 1.419 | 71,8% | R$ 129,9 bilhões | 30,3% |
| De R$ 5 milhões a R$ 10 milhões | 121 | 6,1% | R$ 0,9 bilhão | 0,2% |
| Até R$ 5 milhões | 261 | 13,2% | R$ 0,4 bilhão | 0,1% |
| Total | 1.976 | 100% | R$ 428,9 bilhões | 100% |
O ponto que importa é a linha dos R$ 10 milhões. É um valor baixo para um RPPS: 8 em cada 10 estão acima dele. Isso significa que, na maior parte dos institutos, alguém do comitê e o responsável pelos recursos precisam de uma prova com corte de 70%, e não mais de uma com 50%. E o número é um piso: quem não entregou o DAIR também cai na regra dos R$ 10 milhões.
Há ainda quem esteja perto da linha. No DAIR de junho, 42 RPPS tinham entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões, e 46 tinham entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões. Em cima, 41 estavam entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões, e 29 entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões. Se o seu RPPS está nessa região, vale planejar a certificação pelo nível de cima, porque a faixa acompanha o DAIR do mês anterior.
A exigência é diferente para o responsável e para o comitê
Pela Portaria MTP nº 1.467/2022, os dois precisam de idoneidade e certificação (art. 76, I e II), mas o responsável pela gestão das aplicações também precisa de experiência comprovada e formação superior (art. 76, § 2º). O membro do comitê, não (art. 76, § 1º).
Em comum, os dois têm a regra do tempo: a certificação vem antes de exercer a função (art. 78, § 2º). O Cadprev confere na nomeação ou posse e, depois, de forma contínua: o batimento é diário, e o RPPS fica irregular no mesmo dia em que a certificação deixa de ser comprovada (perguntas frequentes, questão 23). Dirigentes e conselheiros têm verificação anual, em 31 de julho. A exigência recai sobre os membros titulares do comitê.
Como são as três provas
| Prova | Questões | Corte | Acertos | Tempo no Totum | Maiores blocos |
|---|---|---|---|---|---|
| CGINV I | 60 | 50% | 30 | 2h30 | Fundos 20, legislação 10, instrumentos 8 |
| CGINV II | 70 | 70% | 49 | 3h | Fundos 16, instrumentos 8, carteiras 7, alocação 7 |
| CGINV III | 80 | 70% | 56 | 3h30 | Fundos 14, instrumentos 8, carteiras 7, alocação 7, desempenho 6, risco 6 |
Do CGINV I para o II, a prova não fica só maior: muda de natureza. A legislação cai de 10 para 5 questões, e entram teoria moderna das carteiras, alocação de ativos e finanças, com cálculo. Quem fez o básico decorando limites vai precisar de outro tipo de estudo. O mapa completo está em o que cai na prova, bloco a bloco.
Tenho o básico de 2023. Preciso refazer agora?
Não agora. O Manual diz que a certificação obtida no nível básico de 2022 a 2025 atende à exigência durante os 4 anos de validade (item 3.1). A Orientação nº 1/DRPPS repete isso. A conta chega no vencimento: as perguntas frequentes da Comissão (questão 25) dizem que quem foi certificado no básico nesse período, e é obrigado a ter certificação superior, deve comprovar o nível correspondente na próxima certificação. A redação do item 3.1 do Manual 2.0 é mais ampla que a dessa questão, e, em caso de dúvida, vale confirmar com o Departamento dos Regimes Próprios.
E a renovação não resolve, porque ela se dá no mesmo nível da certificação vigente (item 4 do Manual). Se o seu RPPS exige CGINV II, renovar o CGINV I não atende: é preciso passar na prova do nível exigido.
O tamanho disso aparece na lista oficial de certificados, que vai até janeiro de 2024. Dos 3.139 certificados CGINV, 2.855 são de nível básico (91%), 184 intermediários e 100 avançados. E 2.009 deles vencem em 2027. Veja como planejar em renovação da certificação RPPS.
O CGINV II e o Pró-Gestão
O CGINV II ganhou um segundo papel com a Portaria SRPC/MPS nº 1.183/2026. Para o RPPS que usa o Anexo V e tem só a adesão ao Pró-Gestão, ou que pede o nível III, o responsável pelas aplicações precisa do CGINV II como requisito específico, e a básica não serve, mesmo que continue valendo para o CRP. Os detalhes estão no guia do Anexo V.
Quem acumula funções
- Dirigente e comitê: precisa das duas certificações, DIRIG e CGINV, cada uma no nível exigido (item 3.3 do Manual).
- Comitê e conselho: a certificação de dirigente, de responsável pelos recursos ou de comitê no nível básico pode ser reconhecida para os conselhos, no nível básico ou intermediário (item 3.2).
Como se preparar
Comece confirmando a faixa do seu RPPS: a página da certificação mostra a prova de cada função. Depois, meça onde você está no simulado aberto, que usa legislação dos investimentos. Para escolher onde fazer, compare Totum, APIMEC e ABIPEM: em CGINV II e III, os preços de tabela vão de R$ 300 a R$ 376.
Nas trilhas do Panorama, as aulas de investimentos usam a carteira do próprio RPPS, pelo DAIR. Elas complementam um curso preparatório, sem substituí-lo.
Perguntas frequentes
O que significa CGINV?
É a sigla da certificação do responsável pela gestão das aplicações dos recursos e dos membros do comitê de investimentos do RPPS. Tem três níveis: CGINV I (básico), CGINV II (intermediário) e CGINV III (avançado).
Todo membro do comitê precisa de certificação?
Todos os membros titulares, desde 1º de janeiro de 2026, com uma exceção: no RPPS com até R$ 5 milhões aplicados, valor reajustado todo ano, só o responsável pela gestão dos recursos precisa.
Qual CGINV o comitê precisa em um RPPS com R$ 50 milhões?
Com R$ 50 milhões aplicados, o responsável pelos recursos e um titular do comitê precisam do CGINV II, e os demais titulares, do CGINV I.
O valor considerado inclui o dinheiro em conta?
Não. O Manual manda usar o valor das aplicações no DAIR, sem as disponibilidades financeiras, do mês anterior ao da verificação.
E se o RPPS não entregou o DAIR?
Vale a regra dos R$ 10 milhões: CGINV II para o responsável e um titular, CGINV I para os demais.
Quem é aprovado no CGINV pode atuar nos conselhos?
Sim, em parte. A certificação no nível básico para comitê ou responsável pelos recursos pode ser reconhecida para as funções de conselheiro, no nível básico ou intermediário, pelo item 3.2 do Manual.
Fontes oficiais
- Manual da Certificação dos Profissionais dos RPPS, versão 2.0, itens 3 e 4 (Ministério da Previdência Social)
- Perguntas e respostas da certificação profissional (Ministério da Previdência Social)
- Lista de profissionais certificados (Ministério da Previdência Social)
- Edital CP RPPS, revisão 38 (Instituto Totum)
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a leitura das normas nem a orientação sobre o caso concreto do regime. Os números vêm do DAIR declarado pelos RPPS e podem mudar com retificações; a lista oficial de certificados foi lida em 30 de outubro de 2026 e traz emissões até janeiro de 2024.